PROFESSOR: COMO VAI A SUA
PRÁTICA PESSOAL?
Publicado originalmente em
www.yoga.pro.br
Ele é um yogi, ela uma
yogini; mas, como vai a prática pessoal daqueles que se dedicam, ao ensino do
Yoga? Será que alguns professores de Yoga estão transferindo a prática pessoal
para os minutos reservados às aulas com os alunos praticantes? E, isso é correto?
Hoje em dia, em meio à
agitação do urbano, adicionada aos afazeres domésticos e outras atividades, é
natural acontecer de alguns professores de Yoga somente praticarem durante as
aulas que ministram. Porém, se isso vier a se tornar um hábito freqüente; está
na hora desse yogi ou dessa yogini reorganizar os horários e achar aquele
precioso tempo para se dedicar exclusivamente à prática pessoal. Primeiro o
mais importante, já diz a máxima.
Nos primórdios dos tempos, a
prática pessoal do yogi se realizava junto à Natureza, na mata, banhado ao ar
puro e em lugares com abundância de prana. Os ponteiros do relógio não
controlavam o tempo daqueles que buscavam o saber e a libertação.
Nos dias atuais, para o
yogi-professor, o tempo se mostra precioso, muitas vezes escasso; porém, mesmo
nessa situação de falta de tempo, nada seria mais justo e inteligente do que
passar a se comprometer com a valiosa prática pessoal,reservando alguns
momentos pela manhã ou no fim da tarde para a execução de ásanas, seguidos por
no mínimo mais dez ou 15 minutos dedicados à concentração e meditação.
No entanto, não existe a
necessidade desse seu compromisso inicial ser diário; você pode se comprometer
com a prática pessoal por duas ou três vezes na semana e depois, quando esse compromisso
se tornar mais firme e cristalizado, os minutos podem ser esticados e quem sabe
você até possa vir a incluir mais dias da semana com esses momentos especiais
dedicados à prática. Basta começar, pois tudo é uma questão de hábito.
O hábito se constrói pouco a
pouco com a execução daqueles ásanas que você mais gosta, para na seqüência,
após uma invertida, relaxar o corpo, absorver oprana em respiratórios e seguir
em direção à concentração e meditação. Uma boa dica é já deixar o tapetinho
estendido, bem à vista; pois assim ele vai te lembrar que a prática o espera.
Você pode até se
entusiasmar, dar o pontapé inicial em direção a esse novo propósito de
verdadeiramente se dedicar à prática do Yoga alguns dias na semana; mas, de
repente, ao chegar no fim daquela atribulada semana você nota que o compromisso
com a prática pessoal não foi devidamente cumprido. Você deixou de praticar, de
se dedicar ao Yoga naquela semana, naqueles minutos que
reservou e, então, uma sensação de culpa aparece. O que fazer?
Não se preocupe, retome à
prática pessoal quando puder, mas retome; mesmo que seja no dia seguinte, na
semana seguinte. Comprometa-se de novo e siga em frente; porque em breve notará
que esse compromisso se firmou e nada mais poderá lhe afastar desse seu valioso
tempo dedicado ao crescimento como mumuksu.
Uma vez que o compromisso
com a prática pessoal entrou nos eixos, agora, você poderá dar mais um passo e
reservar mais alguns momentos ao estudo, à leitura de livros voltados à
filosofia do Yoga, a aprimorar a visão do Vedanta ou do Ayurveda; mesmo que o
tempo que passa assistindo TV ou na frente ao computador tenha que ser reduzido
(o que aliás, já seria algo ótimo).
Dedicar-se à transmissão da
filosofia milenar àqueles que se iniciam ou já praticam por algum tempo denota
muita perseverança por parte do professor, e deve ser considerado uma honra.
Honra que se paga com a adequada dedicação à prática pessoal, ao estudo e à
realização do propósito supremo do Yoga, que é a liberdade.
Preparo este, tanto no
quesito ásana quanto na leitura de textos voltados à filosofia do Yoga, das
escrituras e de outros temas ligados à prática que não podem ser relegados a
terceiro plano ou esquecidos, pois contribuem para o autoconhecimento.
Yogi que é yogi pratica
ásana regularmente, estuda, medita e, no dia-a-dia, procura aplicar todo o
saber e conhecimento do Yoga na vida em sociedade com o fim precípuo de moksha,
a libertação. Então, lembre-se da suma importância da prática pessoal e do
estudo, pois sem eles o que seria de você como yogi/yogini e daqueles que
praticam com você no papel de alunos?
Harih Om!
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