Viver para Ser Seliz ou Viver uma Vida Interessante? Por Ana Govatto
VIVER PARA SER FELIZ OU VIVER UMA VIDA INTERESSANTE
Por Ana Govatto
Já reparou como a busca
incessante pela felicidade virou uma obrigação contemporânea? Somos levados
pela ideia de que ser feliz é uma obrigação e é compulsório. Estamos sempre
afirmando “Eu preciso ser feliz!”, “Eu mereço ser feliz!”, e por aí vai...
Nessa busca desenfreada e
decepcionante (sim, decepcionante porque gera muita expectativa!) procuramos, a
todo instante, coisas que podem oferecer felicidade: carro, imóvel, roupa,
joia, aparelho eletrônico, aquela viagem dos sonhos, ou seja, bens materiais em
geral. Já experimentou a sensação de satisfação que é comprar ou ganhar um
“objeto do desejo”? Maravilhoso, não é? A sensação de prazer e de poder nos
enche de força e alegria. Pulamos, cantamos, dançamos, vibramos e...acabou!
Depois de uma semana (se não menos), o que era novo ficou usado e o que era
novidade caiu na rotina. E voltamos a ficar tristes.
O interessante da vida não é
ter coisas interessantes.
O interessante da vida é ter
uma vida interessante porque ter interesse só faz acumular felicidade, ao
contrário da matéria que se torna velha e precisa ser trocada.
Observando o meu entorno
percebo como são poucos os que são felizes, independentemente daquilo que
possuem. Observe você também. Vá a um parque e conte quantas pessoas estão
fazendo nada, olhando para nada sem utilizar nada. Se encontrar alguém assim
tenha a certeza que essa pessoa está interessada em si mesma, naquilo que está
sentindo e nos seus próprios pensamentos. Essa pessoa não está fugindo dela
mesma se conectando ao mundo pela internet, nem dirigindo o carro do ano, nem
provando roupas, nem navegando o mar azul em um iate.
Muito provavelmente ela está
com ela mesma, se ouvindo, se curtindo, se entendendo e tentando tornar sua
vida mais interessante. Está sonhando, está buscando a realização de seus
sonhos e está se amando em silêncio. Ela deve estar sentindo alegria por ser o
que é e não foge de si mesma porque entende que é um ser interessante e que sua
história de vida é algo para se orgulhar. E com isso, ela vive o presente de
maneira plena e torna seu dia interessante mesmo na adversidade e na escassez
seja lá do que for.
Experimente se interessar por você. Pare tudo
o que está fazendo por alguns instantes e se volte para você, apenas. Reveja
seus sentimentos, suas realizações, suas vontades e seus sonhos. Fazendo isso
você estará entrando em contato com seu verdadeiro e indestrutível patrimônio:
seus valores, suas verdades, suas qualidades e suas fraquezas. E é nisso que
você deverá investir e colocar luz se quiser ter uma vida interessante.
Ter uma vida interessante é
ter interesse pela vida!
Quando a vida se torna um fardo viramos
vítimas das circunstâncias e fica impossível viver sem a companhia de alguém ou
a alegria de possuir algo material. Fico pensando que tipo de pessoa se
contenta em ser coadjuvante enquanto que ter interesse pela vida pode
transformá-la em protagonista. Não há satisfação com o trabalho? O grande amor
ainda não chegou? Está faltando dinheiro? O tédio se instalou e parece não
querer ir embora? Triste notícia: se você não se amar e não sentir satisfação
com a sua própria presença nada e nem ninguém te fará feliz. Você é o que é, e
orgulhe-se disso!
Ter interesse pela vida é
saber distinguir aquilo que temos que administrar daquilo que temos que mudar.
Algumas coisas são momentâneas ou independem da nossa vontade e por isso mesmo
servem apenas como transição para algo novo. Essas situações fazem parte da
categoria daquelas que temos que administrar. Já outras devem ser transformadas
ou até mesmo eliminadas porque dependem apenas de nós. Essas são as que temos
que mudar. A maior parte das coisas em nossa vida só são mudadas por nós
mesmos.
Quando não sabemos distinguir uma coisa da
outra nos tornamos pessoas infelizes e, por consequência, não somos
interessantes para nós mesmos e nem para os outros. A falta de interesse pela vida
é um vício nocivo demais para quem busca a evolução como um ser que é, e não
como um ser que apenas possui.
Torne-se sua melhor companhia e descubra um
ser especial e interessante em você mesmo. Isso não se pode comprar. Isso não
tem preço!