ALÉM DA MENTE
[Trecho retirado do livro “Setas no Caminho de Volta”- Sugestões para o Filho Pródigo - Coletâneas de artigos do professor Hermógenes, Ed. Nova Era, RJ, 2000].
Quando o meditante atinge o
estado de samadhi, um transe de absoluto silêncio e quietude mental, mergulha
na plenitude da paz, mas, mesmo assim se mantém alerta, consciente, vígil, aceso, em estado de puro apercebimento. É pura
contemplação natural, silenciosa, quieta, plena, inocente e verdadeiramente
muito feliz.
Na contemplação “quem” contempla?
Não pode ser a mente tagarela, mas algo que a transcende, uma espécie de
vigilante calado e isento, por isso mesmo, capaz de perceber os movimentos e
mudanças, por mais sutis que sejam, que se manifestem na substância mental. “Quem”
contempla é a consciência. Quando você medita quem contempla é o verdadeiro
Você porque - eis uma constatação importantíssima! - Você não é a mente, mas a
Consciência Suprema. Isso é para todo e qualquer ser humano... Por quê
não? Todos somos a mesma Consciência.
Usamos o corpo, mas não somos ele. Usamos a mente, mas não somos a mente. Guarde
bem essa verdade de máxima importância e infinito valor. Não seria essa a
Verdade que liberta, que o Cristo mencionou?!
Mesmo na condição comum, enquanto
a mente se revolve, rola e rebola, se entorpece, se agita, se inquieta, dorme e
sonha... a Consciência permanece vigilante, sempre a mesma. No estado
meditativo, porém, aquietada a mente, a vigilância se torna mais aguçada e
eficaz, e a gente se delicia com a chance de acontecer o melhor, pela crescente
e bem-aventurada aproximação com a Realidade Eterna, com o Ser, que cada um de
nós é.
